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Parkinson e Natação: Por que saber nadar não é o suficiente?

Não é falta de força, mas controle motor ineficiente e incoordenação.

Você já ouviu falar de pessoas com Parkinson que sofreram um ” Afogamento quase Fatal?” 

Um dos primeiros estudos publicado com 277 participantes, mostrou que 87% relatam  mudança na capacidade de nadar após o diagnóstico e destes 49% sofreram um ” afogamento quase fatal”. Não defendemos que as pessoas parem de nadar ou fazer terapias aquáticas. Em vez disso queremos alertar para os riscos potenciais associados à natação e chamar a atenção para a necessidade de compreender as caractéristicas do Parkinson que contribuem para as alterações no desempenho na natação. O perfil dos participantes era indivíduos com a média de idade  64 anos e  o tempo médio de diagnóstico de 04 anos, sendo a principal queixa o tremor de repouso (44%). Esses resultados mostram que sintomas de Parkinson , interferem severamente na capacidade de nadar, potencializando o risco de afogamento mesmo em estágios iniciais com menos de 06 anos de diagnóstico (Ma, Neves 2018).

O que acontece no corpo com Parkinson

O principal sintoma do Parkinson que interfere na natação é a lentidão dos movimentos, que acomete de forma assimétrica ,ou seja, um lado do corpo move-se mais lentamente o que contribui para movimentos incoordenados, reduz a propulsão, torna o nado ineficiente e aumenta o cansaço rapidamente. Além disso a incapacidade de manter os movimentos rítmicos, alternados, regulares dos membros com a respiração são devido a diminuição no controle automático decorrente do Parkinson. Ao associar os movimentos dos membros com a respiração e adicionar obstáculos na água aparece os bloqueios ou hesitações conhecido como congelamento motor , que geralmente ocorre em estágios mais avançados do Parkinson mas que no meio aquático podem se manisfetar precocemente. Este nadador de 56anos, durante 03 anos experimentou um declínio ao nadar, com incoordenação motora mais do lado esquerdo do corpo durante o nado crawl, isso veio junto com aparecimento do tremor de repouso na mão esquerda, marcha lenta , passos arrastados e perda do olfato. Procurou o neurolgista que diagnosticou Parkinson no estágio inicial H&Y:2. Neste vídeo ainda sem iniciar o tratamento medicamentoso é possível visualizar as características marcantes do Parkinson durante a natação mesmo em pessoas recém diagnosticadas, neste caso a água aumentou a percepção dos sintomas durante a atividade de natação.

O papel da medicação dopaminérgica

A medicação traz benefícios imortantes , pois reduz a lentidão dos movimentos, a rigidez muscular , facilita a execução de movimentos e as pessoas relataram nadar melhor durante o período “ON” da medicação. Só que mesmo medicadas, os pacientes apresentam dificuldades persistentes ao nadar: coordenação exigida pelos gestos inerente ao nado e  a manutenção rítmica não são completamente restaurada. A medicação ajuda, mas não elimina o rsico.

Como a fisioterapia pode ajudar?

Ele faz o diagnóstico cinético funcional dos gestos e do ato de nadar sem e com obstáculos em uma distância mínima de 08 metros, correlaciona os efeitos da medicação, avalia os sintomas conforme a intensidade e as deficiências relacionadas. Em seguida escolhe as estratégias de tratamento específico para cada pessoa com o objetivo de alcançar mais autonomia e aprendizado motor mais eficiente. Uma dica: Não é falta de força , mas falha no controle dos movimentos e respiração! Esta condição ocorre no Parkinson pela diminuição significativa da ativação cerebral (corticoestriatal) com isso a fisioterapia utiliza de vias cerebrais alternativas preservadas para recuperar os movimentos  e reconquistar as habilidades motoras exigidas pela natação. Algumas estratégias usadas no tratamento podem variar de recursos físicos como pé de pato, espaldeira, pranchas até estratégias mentais como : estimulos internos autogerados mentalmente e imaginação motora.

Natação para Parkinson

Nadar é uma atividade complexa que exige coordenação da respiração com os braços e as pernas de forma rítmica, sincronizada e contínua (Conti AA, 2015).  Ainda falta uma avaliação formal para identificar as interferências das diferentes características da doença na capacidade de nadar de forma segura. Uma possível sugestão citada em uma pesquisa realizada em 2019, definiu: Avaliação do Nado de Peito,  a coordenação dos braços foi preservada em todos os estágios do Parkinson e 46% dos participantes tiveram mais incoordenação nas pernas. Quando associamos o controle da respiração junto com os movimentos dos membros ocorre um agravo moderado na coordenação motora dos braços e severa nas pernas principalmente nas pessoas em estágios mais avançados. No teste de nadar associado a presença de obstáculos  ocorreu a presença de bloqueios/hesitações em 67% dos casos e uma perda de  18% na capacidade de flutuar e manter o quadril/tronco na horizontal. No teste Crawl 75% das pessoas mantiveram a coordenação motora dos braços e 38% nas pernas. Na exigência de nadar e coordenar a respiração apenas 29% dos indivíduos mantiveram a coordenação nas pernas. Ao adicionar obstáculos ocorreu bloqueios e hesitações em 57% dos casos e somente 29% conseguiram manter a flutuação e a posição horizontal do quadril e tronco. E todos os pacientes em estágio HY:2 tiveram dificuldades em neste tipo de nado e na presença de obstáculos os pacientes do estágio HY:3 tiveram mais dificuldades.

05 Critérios para Nadar com Segurança

Primeiro faça os gestos da natação fora da água, assim será possível testar a coordenação de movimentos em solo, simulando os estilos da natação. Segundo Avalie dentro da água, execute os movimentos com a supervisão do fisioterapeuta e associe a respiração e obstáculos durante o teste. Terceiro avalie sua capacidade de flutuar, ou seja, manter o quadril/tronco na horizontal sem movimento ativo. Quarto, faça o teste de caminhada de 06 minutos para testa seu condicionamento físico, quanto maior a distância percorrida em neste tempo melhor é a sua capacidade física. Por último, teste de recuperação:  faça várias pausas e recomeços dentro da água simulando os bloqueios.

Antes de entrar na água, é preciso entender como o Parkinson se comporta nela.

Nadar é a soma de pequenas tarefas que, juntas criam uma atividade complexa e multitarefa desde os estágios iniciais do Parkinson.  Devido ao envolvimento de todo o corpo ao nadar, a necessidade de manter movimentos sequenciais , envolvendo multiarticulações e coordenação com a respiração torna a natação uma atividade desafiadora , menos automática e mais pensada.

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